As explosões iluminam o céu, cobrindo as nuances azuis e vermelhas daquele anoitecer. Observo os reflexos num fio laminado de água, são tantos sorrisos! Por toda a parte os rostos parecem aliviados, todos pulam, dançam nos paralelepípedos. Mas eu volto minha cabeça para o chão. Só consigo pensar em como seria bom se visse tudo isso. Se percebesse o equívoco! Não era apenas um número, sacrificado pela terra. Eu aperto o chapéu com força. Ainda não é o fim e sei que ainda tenho uns dias para viver, para morrer…
Não sei como nem de onde tirei minhas forças. Quanto mais a ferida na perna me paralisava, mas minha cabeça insistia em continuar. De repente, um ângulo vertiginoso perfura minhas costas. Novamente encontro a terra. Dessa vez tudo começa a embotar, até minhas mãos formigarem. Sentia meu corpo tremer, mas não conseguia me movimentar. Rouca, surda, aos poucos também fico cega, enquanto a terra a minha volta se agita.
Escuridão.