Já dizia o velho verso sobre as lágrimas de Portugal. Mas o verso nem sempre está aí. Por vezes as lágrimas secaram de tanto sal, deram lugar à força. Os grãos viraram uma fortaleza, que assovia com o vento as canções do mar. Um paredão sólido, que se arrepia com o contato das ondas. Elas vão levando o meu sal, para as profundezas oceânicas, para o horizonte inesperado, para o coração de um peixe. Virei suor, virei dor, virei a pulsação. Agora sou um olhar venenoso, sou a crocância de um amor jovem, regado à óleo e salsa. Do pó virei a palavra e do verbo sou um sorriso amarelo. No fim, todos terminamos sem bicarbonato de sódio.
Força salgada