Meia-lua, 30 horas de cá.
Caro Senhor Amor,
Eu esperava encontra-lo na face jovial, nas liras ou nas juras.Tua irmã gêmea, rouba a tua cena e finge ser tua pessoa.Ela veste-te, ilude e entristece.Ó, mas tua irmã Paixão que me perdoe, mas quantos corações ela já não enganou?E por acaso não foi o meu, o teu ou o nosso?Quantos crepúsculos ela nos fez contemplar, quantas noites em claro ela nos fez passar?Não encontro mais o teu endereço, então coloquei na carta apenas o remetente.Fugiste do meu coração e de tantos outros com tanta pressa…Ou será que nunca lá estiveste?
Eu te pergunto: és mesmo meu amigo?Pareces ora tão presente ora tão sumido.Não és pontual, não és leal.Pareces daquelas amizades oceânicas, que vão e vem conforme a maré, um dia serão teus fiéis parceiros, no outro, uma breve lembrança.
Amor perfeito, sinto raiva de ti.Não me escolheste, recusaste-me friamente.Será que devo procurar-te na Humildade, ou quem sabe na Sabedoria?Devo parar de te julgar, e simplesmente me aventurar na tua busca?Seja qual for o caminho, só te peço um favor: não me deixe.
Grata pela atenção,
Artista circense.




