-Precisa de ar,menina!Vive encarcerada na sua própria casa!Vá sair!-Exclamou ama.
- E de que adianta sair de uma prisão para a outra?Lá fora encararei os densos muros do castelo.
– E vai deixar simples tijolos empilhados destruírem tua felicidade?
– Não é só esse muro que me tortura,querida ama.Não entendes os muros dentro da mente de meu próprio pai?Ele não vê nada além das conquistas.Para que teve essa filha então?Para vê-la costurando toda vez que retorna de um litígio sangrento?Para limpar as feridas, faze-lo esquecer dos olhares apavorados, dos gritos ensangüentados?É para isso que eu sirvo?
-Deixe de ser ingrata.Graças a essas batalhas,tu tens o pão de hoje, teus lindos tecidos,ouro no berço,calor no inverno.Menina mal agradecida, deveria ir mais à Igreja agradecer pela tua Fortuna.
-Será que só sabes ver felicidade no ouro?Ama tola!Nunca conheceu o amor.Agora saia daqui, sua presença está me perturbando.Eu vou sair do castelo, mas porque essa discussão me deixou tensa.
Lalita vagou solitária por entre os jardins artificiais do feudo.Era tudo tão perfeito, e qualquer servo daria tudo para ter aquela vida rica e colorida.Mas a moça não via cor na sua solidão.O mundo lá fora parecia ser uma maravilhosa aventura que a jovem perdia a cada segundo que passava no castelo.
A monotonia é quebrada pelos passos desastrados de Ludovico.O gordo servo chega berrando ofegante:
-Senhorita Lalita, deixaram esta galinha aqui.É para a Senhorita!
-Oh!Mas quem me mandaria uma galinha?Que inusitado absurdo!Deve ser de algum reino vizinho…
Lalita pôs a ave no chão e continuou o passeio.Para sua surpresa, o bicho começou a segui-la…
(Caroline Soares, 2008 )

